Informações históricas de Itapiranga – SC

(Afonso Jungblut)

 

Para uma melhor compreensão da história do município de Itapiranga, faz-se necessária uma breve análise e algumas citações do processo histórico europeu, brasileiro e riograndense, a partir do século XIX.

 

 Na região da atual Alemanha, a destruição provocada pelas guerras napoleônicas, a penetração da economia de mercado no meio rural, o processo de industrialização, os diversos movimentos considerados revolucionários em função da instabilidade criada e a luta por novos espaços e direitos, entre outras situações, contribuíram para uma insatisfação de um excedente populacional, que gerou a emigração a outros países, entre os quais o Brasil. No Brasil, a abertura dos portos em 1808, favoreceu inicialmente aos ingleses, proporcionou um período de articulação e incentivos a imigração.

 

Uma parte dos imigrantes europeus, por iniciativa de particulares, foram direcionados para as fazendas de café que, com a decadência do tráfico de escravos, e das desvantagens que esta estrutura apresentava naquele momento, ao menos na região Oeste paulista, fizeram os fazendeiros optar por “braços livres” para mão de obra. Outra parcela de imigrantes veio ao Brasil estimulados por uma política governamental de povoamento, formando núcleos em regiões desabitadas, com o objetivo de produzir gêneros agrícolas ao mercado interno e até mesmo fazer frente ao latifúndio, fortalecendo a pequena propriedade.Este tipo de colonização basicamente foi viabilizada no Rio Grande do Sul, onde havia espaços vazios e o latifúndio ocupava as terras mais planas do sul, desenvolvendo a pecuária que envolvia pouca mão-de-obra.

 

A colonização alemã no Rio Grande do Sul iniciou na década de 1820, na região de São Leopoldo, com diversos incentivos e com elaboração de leis a fim de regulamentar essa nova situação.

 

 Em 1854 foi criada uma lei que autoriza a compra e venda de terras, possibilitando o acesso direto dos imigrantes á posse de terras. Ao mesmo tempo, houve muitas dificuldades como o não cumprimento dos incentivos propostos e de pouca atenção aos núcleos colonizadores. Mesma assim, a região se desenvolveu, formando um legado cultural expressivo e passando aos poucos a influenciar e integrar-se na economia e política do Estado, com reflexos a nível nacional.

 

 Durante o processo de desenvolvimento da vasta região colonizadora, outras dificuldades foram surgindo como, o retalhamento e esgotamento das terras aliado a falta de capital e incentivos da propaganda de novas terras, levando parte dos antigos imigrantes a colonizar novas áreas no Rio Grande do Sul e em outros estados, entre os quais Santa Catarina.

 

São nestas circunstâncias que pode ser contextualizado as colonizações de Porto Novo, a partir de 1926, oriunda das chamadas “velhas colônias”, e administrada pela Volksverein e financiada pela Sparkassen.

 

  Igualmente, vieram imigrantes de outras regiões de colonização alemã, motivados pela propaganda do projeto, do litoral catarinense e da própria Europa. Convém salientar ainda, que esta colonização foi destinada somente para alemães católicos, com objetivo de preservar a cultura e evitar conflitos com os Protestantes, apresentando especificidades, assim como foi nas imigrações e colonizações a nível nacional e no próprio Rio Grande do Sul. Depois de três décadas, também pessoas de outra etnias foram vindo, sem que houvessem conflitos.

 

A região de Porto Novo pertencia, na época da colonização, ao município de Chapecó, Santa Catarina, passando, em 1929 a se chamar Itapiranga, por sugestão do presidente da Província (Estado SC) Adolfo Konder, em visita a esta colônia. Os imigrantes vindos para nossa região, implantaram a pequena propriedade privada da terra, com predominância da mão-de-obra familiar. (Em 1929 Itapiranga recebeu a visita do governador Adolfo Konder).

 

Os povos nativos (guaranis e caboclos) que viviam nestas terras eram semi-nômades e pouco contato tinham com os colonizadores. Os recursos naturais viabilizaram o modelo de desenvolvimento econômico bastante autônomo e de subsistência.

 

A mata nativa foi a primeira riqueza extraída, servindo para edificar as construções e organizar balsas no Rio Uruguai, levando a madeira para Uruguaiana, São Borja e cidades da Argentina, de onde era exportada. Também o solo fértil favorecia o plantio de diversas culturas para a subsistência e a fauna auxiliava na alimentação das famílias. O modelo de desenvolvimento aqui implantado até na década de 1950, estava pouco integrado a economia nacional. Além da madeira, a banha e o fumo constituiam-se nas poucas fontes de renda.

 

Nas décadas seguintes, alternativas e empresas foram constituídas, como por exemplo, o complexo industrial SAFRITA, (depois Ceval, Seara = Bunge) seguindo a tendência nacional, mudando a organização das pequenas propriedades e estimulando o crescimento da cidade de Itapiranga.

 

Diversas alternativas também foram sendo organizadas no meio urbano e rural com formação do camponês assalariado, o qual continua na sua propriedade desenvolvendo reduzidas atividades agrícolas e trabalhando como empregado.

 

O esgotamento e retalhamento das terras, como nas velhas colônias, a penetração cada vez maior da economia de mercado no campo, passou a ser um imenso desafio para as pequenas propriedades rurais, e levou parte dos moradores a migrar para outras regiões do país.

 

Cabe ainda citar que devido a forte influência e prática do cristianismo, as famílias imigrantes logo formaram pequenas comunidades, construindo igrejas com o apoio dos padres Jesuítas e, ao mesmo tempo, criaram escolas, contribuindo no pagamento dos professores, para que seus filhos pudessem estudar. Os interesses individualistas eram geralmente suprimidos pela forte identidade social coletiva. As famílias procuraram, ao longo da história, manter seu legado cultural, mas este está sofrendo rápidas alterações nas gerações mais novas influenciadas principalmente pela expansão dos meios de comunicação, acesso a novas tecnologias, a globalização, tornando praticamente todas as regiões do mundo integradas, deixando alguns traços culturais dos colonizadores, os quais o município procura resgatar e manter vivo.

 

Emancipação Político-administrativa:

 

Com um desenvolvimento promissor, tanto no núcleo urbano quanto na zona rural, Porto Novo, já em 25 de fevereiro de 1932, pelo decreto no 213 do então Interventor Estadual (Ptolomeu de Assis Brasil), tornou-se distrito do município de Chapecó, desmembrando-se do distrito de Porto Feliz, (hoje Mondai) assumindo como primeiro subprefeito Sr. Carlos Francisco Rohde.

 

A partir dessa conquista, o novo distrito impulsionava uma constante organização na estrutura político-administrativa e na infra-estrutura, com destaque para:

Criação da Caixa Rural União Popular de Porto Novo em outubro de 1932: funcionamento do primeiro hospital na cidade em 1937-1938, a troca do nome de Itapiranga para Vila Peperi, no período de 1943 a 1946 quando pertencia ao Território do Iguaçu, a instalação em 1951 de um telefone automático, a implantação de diversas escolas e implantação de estradas desde o final da década de 1920, como também a formação de empresas comerciais, prestadoras de serviços e de diversas comunidades no interior.

 

Todos estes avanços e as aspirações de amplo desenvolvimento desta região motivaram as lideranças do distrito de Itapiranga a articular o processo de emancipação.

 

O desafio era a emancipação político-administrativa atender as exigências da Constituição de Santa Catarina de 1947, que estabelecia que os novos municípios devessem possuir no mínimo 20.000 habitantes. Com uma dedicação e articulação política, Itapiranga conquista sua emancipação política pela lei 133 em 20 de dezembro de 1953, e Itapiranga é oficialmente instalado em 14 de fevereiro de 1954.

 

Concretizada a emancipação, a comissão emancipacionista reuniu-se em 26 de janeiro de 1954 e elegeu, por unanimidade, o Sr. Wilibaldo Schoeler como o primeiro prefeito do novo município, até as eleições de 03 de outubro de 1954, quando se elegeu pelo voto popular, o Sr. Arthur Goerck, para um mandato de cinco anos, a partir de 15 de novembro de 1954.

 

 

“ITAPIRANGA NO PROCESSO É UNIÃO”.

DO SEU POVO, DO OPERÁRIO E DO PATRÃO.

INCRUSTADO ÁS MARGENS DO URUGUAI

“NÓS TE AMAMOS DE TODO CORAÇÃO.”

TEUS PIORNEIROS SÃO MEUS PROFESSORES,

TUAS PLAGAS SÃO MEUS AMORES.

CONHECENDO TE ADORO SEM FIM

“POIS ENTRASTE PRA DENTRO DE MIM.”

“ITAPIRANGA NO PROGRESSO É UNIÃO”.

DO SEU POVO, DO OPERÁRIO E DO PATRÃO.

INCRUSTADO ÁS MARGENS DO URUGUAI

“NÓS TE AMAMOS DE TODO CORAÇÃO.”

ALEMÃES, LUSOS E ITALIANOS.

IRMANADOS CONVOSCO MARCHAMOS

O PROGRESSO QUEREMOS CONSTRUIR

D’UM BRASIL GLORIOSO NO PORVIR.

“ITAPIRANGA NO PROGRESSO É UNIÃO”.

DO SEU POVO, DO OPERÁRIO E DO PATRÃO.

INCRUSTADO ÁS MARGENS DO URUGUAI

“NÓS TE AMAMOS DE TODO O CORAÇÃO.”

ITAPIRANGA CIDADE SINGELA,

ÉS MODESTA MAS ÉS MUITO BELA.

O TEU POVO SE SENTE FELIZ

“COM GLÓRIA QUE COM ELA CONDIZ.”

 

Extremo oeste catarinense (sudoeste)

Área: 286km²

Latitude: 27º 16` 9``

Longitude: 53º 71` 2``

Altitude mínima: 150m

Altitude máxima: 544m

 

Limites:

 

O município limita-se ao sul com o Rio Uruguai, que faz divisa com o Estado do Rio Grande do Sul, ao leste com o município de Mondaí ao norte com o município de Tunápolis e o município de São João D´oeste e ao oeste divide-se com a Argentina através do Rio Peperi Guaçu.

 

Relevo e clima:

 

O município se caracteriza por possuir um relevo irregular. O solo do tipo basáltico argiloso foi uma das características que deu origem ao nome do município Itapiranga (em Tupi – Ita=pedra + piranga=vermelha). A vegetação é constituída predominantemente de mata atlântica. O clima é subtropical úmido com as estações bem definidas possuem temperaturas que variam de 0º à 40º. O índice de precipitação pluviométrica média anual é de 1810 mm.

 

População:(Só atual Itapiranga)

 

Habitantes: 13980(Censo 2000 – IBGE)

Habitantes: 14996(Secr. Saúde de Itapiranga – 2003)

Eleitores: 11.013(TSE – 2004)

 

Etnia:

 

Cerca de 90% da população itapiranguense é de origem germânica. 10% são de origem africana e indígena.